terça-feira, 13 de novembro de 2012

Eu amo a ambição






Que motivação humana consegue realizar as coisas mais maravilhosas? Realmente, é uma pergunta boba, uma vez que a resposta é tão simples. Ocorre que é a ambição humana que faz com que as coisas mais maravilhosas sejam feitas.

Quando digo ambição [ou “ganância”], não estou falando de fraude, roubo, desonestidade, fazer lobby por privilégios especiais do governo ou de outras formas de comportamento baixo e desprezível. Estou falando de pessoas tentando obter o máximo que puderem para si mesmas. Tentarei explicar melhor:

Neste inverno, rancheiros do Texas podem ser obrigados a enfrentar o frio da noite, ou até nevascas, para trazer de volta, alimentar e cuidar de rezes que se desgarraram da manada. Eles fazem o sacrifício pessoal de cuidar de seus animais para garantir que os nova-iorquinos possam apreciar um bom filé. No último verão, os produtores de batatas de Idaho trabalharam pesado sob calor escaldante, em meio à poeira ou lama, picados por insetos, para garantir que os nova-iorquinos tivessem batatas para acompanhar seus filés.

Eis a minha pergunta: Você acha que os rancheiros do Texas ou os produtores de batatas de Idaho fazem esses sacrifícios pessoais porque gostam muito dos nova-iorquinos e, portanto, se preocupam com o bem estar deles? O fato é que, gostando deles ou não, fazem de tudo para garantir o suprimento diário e ininterrupto desses produtos aos nova iorquinos. Por quê? Pela razão de que os rancheiros e plantadores de batata querem mais para si mesmos. No sistema de livre mercado, para que alguém consiga mais para si mesmo é preciso servir ao seu semelhante. Isto é precisamente o que Adam Smith, o pai da ciência econômica, queria dizer quando afirmou em seu clássico “An Inquiry Into the Nature and Causes of the Wealth of Nations" (1776) [“Uma Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações”]: “Não é a partir da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que podemos supor que teremos o que comer e beber, mas sim porque essas pessoas se preocupam com seus próprios interesses”. A propósito, quantos filés e batatas você acha que os nova-iorquinos teriam à disposição se tudo dependesse das noções politicamente corretas de desprendimento e bondade? Se tudo dependesse dessas noções, eu ficaria um tanto aflito pelos nova-iorquinos. Alguns sugeriram que em vez de ambição, eu usasse a expressão “interesse próprio esclarecido”. Tudo bem, mas prefiro “ambição”.


O capitalismo de livre mercado é relativamente novo na história humana. Antes da ascensão do capitalismo, as pessoas conquistavam grandes riquezas saqueando, pilhando e escravizando seus semelhantes. Os capitalistas buscam descobrir as coisas que as pessoas querem e então as produzem e fornecem da maneira mais eficiente possível. O capitalismo de livre mercado é implacável e impiedoso em sua disciplina de lucros e perdas. Isto explica muito da hostilidade contra o capitalismo de livre mercado; e parte dessa hostilidade vem de empresários. Smith reconheceu essa hostilidade quando afirmou: “Pessoas do mesmo ramo de negócios raramente se encontram, nem mesmo para folguedos e diversão, mas [quando se encontram] a conversa acaba numa conspiração contra o público ou em algum artifício para aumentar os preços”. Adam Smith estava fazendo alusão ao capitalismo de compadrio apoiado pelos governos, que veio a caracterizar muitos dos negócios e empresas de hoje.

O capitalismo de livre mercado tem outros inimigos — a maioria deles entre as elites intelectuais e tiranos políticos. Essas são pessoas que acreditam possuir uma sabedoria superior à das massas e que Deus lhes ordenou que impusessem à força tal sabedoria sobre nós. Naturalmente, essas pessoas têm aquilo que consideram boas razões para restringir a liberdade, mas todo tirano que existe ou já existiu, tem ou tinha o que considerava boa razão para restringir a liberdade. A agenda de um tirano exige a diminuição ou a eliminação do mercado e daquilo que este implica: as trocas voluntárias. Um tirano não acredita que as pessoas, ao agir voluntariamente, serão capazes de fazer o que ele acha que deveriam fazer. Ele quer substituir o mercado pelo planejamento econômico e a regulamentação estatal.


As turbas de ocupantes de Wall Street e seus aliados na mídia e nos círculos políticos não são contra os princípios do capitalismo de compadrio, dos resgates financeiros dos politicamente bem relacionados, do dirigismo estatal e de seus privilégios. Tanto quanto os tiranos, compartilham da mesma hostilidade ao capitalismo de livre mercado e às trocas pacíficas e voluntárias. O que eles realmente querem é permissão do Congresso para repartir o butim do que puderem saquear de seus semelhantes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário