domingo, 4 de novembro de 2012

O estado da Síndrome de Estocolmo




  

Quando se pergunta o que um político fez em seu mandato para justificar sua reeleição, é muito comum ouvir que tal político ampliou a quantidade de pessoas beneficiadas pelo bolsa-família, construiu mais hospitais públicos, trouxe mais unidades do SUS para a cidade, instituiu escolas públicas voltadas para atender às necessidades especiais de crianças marginalizadas, aprovou a lei de cotas para minorias ou desprivilegiados, aumentou o seguro-desemprego, manteve o nível dos preços dos transportes públicos ou ainda que aumentou o policiamento na cidade para a guerra ao tráfico, trazendo maior sensação de segurança à população.

Chega quase a ser verossímil acreditar que é desumano votar contra esses políticos e não ser a favor de medidas como as listadas anteriormente, as quais não seriam possíveis sem o aparato público.  Sim, é verdade, as medidas que caracterizam o estado do "bem-estar-social" não seriam possíveis sem este aparato, porque é este justamente o responsável pelas ações cujas consequências tornam necessária a própria intervenção estatal. 

Confuso? Você vai entender melhor quando reconhecer a semelhança que guarda as consequências de algumas políticas públicas com o quadro psicológico desenvolvido por pessoas vítimas de sequestro, vítimas dos cenários de guerra ou submetidas à grave violência doméstica ou familiar. Esse quadro é mais comumente conhecido pelo nome de Síndrome do Estocolmo e é bem caracterizado pelo trecho a seguir extraído da Wikipédia:

As vítimas começam por identificar-se emocionalmente com os sequestradores, a princípio como mecanismo de defesa, por medo de retaliação e/ou violência. Pequenos gestos gentis por parte dos captores são frequentemente amplificados porque, do ponto de vista do refém é muito difícil, senão impossível, ter uma visão clara da realidade nessas circunstâncias e conseguir mensurar o perigo real. As tentativas de libertação, são, por esse motivo, vistas como uma ameaça, porque o refém pode correr o risco de ser magoado. 

O fato é que as engrenagens que movem esse aparato político têm dentes pequenos, mas afiados. As reentrâncias compartimentadas em forma de ausência de informação são tão minúsculas que tornam quase impossível às vítimas conseguirem discernir a realidade, isto é, as causas daquilo que torna a situação tão penosa para elas.

É muito compreensível, então, que o seguro-desemprego seja tão desejável quando existem inúmeros impostos/"contribuições" e uma liberdade contratual tão escassa, tornando o processo de contratação/demissão e abertura de novas empresas tão demorada e custosa, que fica quase impraticável alguém sair do trabalho atual para um novo em um curto período. Torna-se ainda mais compreensível, quando a vítima é auxiliada por tal seguro, afinal é esta ferramenta que a impediu de sofrer privações nesse período de transação. 

É completamente plausível a vítima ser a favor de ações de "distribuições de renda", quando o governo paga seus títulos imprimindo dinheiro, distorcendo e inflacionando os preços no mercado, e quando tributa acentuadamente produtos alimentícios. Torna-se até quase irrefutável quando o benfeitor governo subsidia grandes fazendeiros de modo a tornar a nossa comida mais barata para o exterior e mais cara para o consumidor brasileiro!

É inteiramente factível a vítima ser a favor de políticos que mantenham o preço das passagens de ônibus, quando estes tomam sua renda e a usam para subsidiar uma gasolina taxada em mais de 100% sobre o custo e, ainda assim, cada vez mais aguada.  É só você imaginar o quanto essa tributação é convertida em ruas esburacadas e engarrafamentos grotescos que você começa a entender que isso é o mínimo que se pode pedir em um ambiente em que a iniciativa privada praticamente não tem atuação, o transporte coletivo.

Chega a doer os olhos, assim como dói quando você fica muito tempo no escuro e vê a luz exterior, de tão claro que é o fato de o sistema público de saúde ser imprescindível quando o cidadão de baixa renda possui péssimas condições de saneamento, esgoto, se alimenta mal, fica estressado no trânsito e carece de serviços de prevenção médica.

Emociona, assim como emociona ouvir o canto dos pássaros depois de nada mais ter escutado que silêncio e pensamentos sombrios na sua cabeça, o bravo clamor à igualdade de oportunidades que é propiciada pelo estado por meio de cotas, quando se é refém de um sistema público básico, fundamental e médio de ensino de péssima qualidade que por si só é um dos principais responsáveis pela manutenção da pobreza, da imobilidade econômica de certos indivíduos e pela atratividade de atividades ilícitas em um ambiente em que ser honesto exige cada vez mais sacrifícios.

É tão palpável a violência causada pelo tráfico de drogas, a qual se materializa em diversos roubos e assassinatos, que se torna absolutamente plausível ser a favor da proibição do consumo de entorpecentes e a favor da guerra às drogas.  É completamente compreensível (e aqui, como nos parágrafos anteriores, falo com toda sinceridade) ser a favor da proibição quando você teve um parente vítima da violência causada pela guerra ao tráfico ou vítima do vício irrefreável das drogas.  Sim, admito e me compadeço, podem acreditar; mas ainda assim é necessário enxergar que quem lhe leva à guerra é o mesmo que lhe cede a arma e o condecora ao término, vivo ou morto.  Quem combate o tráfico é o mesmo que confere a pessoas de má índole o monopólio da comercialização de drogas e, portanto, lhes confere poder.

Há indivíduos que argumentam, e esse tipo de argumento não provém de vítimas dessa situação, que pessoas que estão no estado de baixa renda não teriam condições de ter suas necessidades atendidas pela iniciativa privada.  Porém, elas realmente o são agora pelo sistema público?  Se a população não tem condições de arcar com o custo de hospitais e escolas privadas, por que ela teria condições de pagar, sumultaneamente, por péssimos hospitais, por péssimas escolas públicas e, principalmente, por uma péssima administração pública para administrá-los?  A iniciativa privada no âmbito principalmente da educação, saúde e empreendedorismo é realmente livre ou também é refém, afinal?

Para a última pergunta, eu diria que sim, a iniciativa privada infelizmente também é refém, mas é uma vítima que talvez se torna menos alheia à própria situação, e, mesmo sob condições adversas, é capaz de operar alguns milagres por ter uma janela de reação maior.  É assim, sob condições adversas ao empreendedorismo, que médicos do Sírio e do Einstein abriram uma clínica na entrada da favela de Heliopólis, em São Paulo (veja aqui).  É assim, sob condições que no Brasil denominamos de penúria, que em Gana pais ganhando cerca de cinquenta dólares por semana preferem matricular seus filhos em escolas particulares às públicas disponíveis (veja este vídeo).

A visão de quem foi vítima desse aprisionamento de idéias, sem dúvida, merece ser respeitada, porém urge que chamemos a atenção para o fato de que o melhor médico não é necessariamente aquele que um dia contraiu a doença que está combatendo.  A realidade, infelizmente, pode não ser a mesma para todos, mas a razão ainda segue ao lado daqueles que enxergam um pouco mais longe e conseguem vislumbrar o jogo por um ângulo melhor. Daqueles que percebem isso a tempo antes de serem acometidos por esse estado nada saudável de coisas, o estado da Síndrome de Estocolmo.

Johel Rodrigues é aluno do 5º ano de Engenharia de Fortificação e Construção do Instituto Militar de Engenharia.

sábado, 3 de novembro de 2012

A Hidra Petista






Como PT nasceu com o "DNA gramsciano" e seu o objetivo final sempre foi estar acima do Estado, seus membros pensam estar além das leis. Por isso, não se sentem na obrigação de defendê-las.

A mitologia grega era riquíssima em personagens. O monstro chamado Hidra possui um corpo de dragão e cabeças de serpente. Os guerreiros que o enfrentavam deparavam-se com uma grande dificuldade: a cada cabeça cortada, logo surgiam duas no lugar.

O guerreiro Hércules foi aquele que venceu a Hidra. Ao invés de tentar decepar as inúmeras cabeças que sempre se multiplicavam, desferiu um ataque fulminante na cabeça principal do monstro, liquidando com um golpe certeiro também as outras cabeças. 

A lição da história é clara: certos impasses só são resolvidos atacando diretamente no centro de geração dos problemas. Ataques em zonas periféricas não resolvem: no lugar de uma cabeça cortada, logo nascerá outra tão mortífera como a anterior.

O julgamento da Ação Penal 470, o Mensalão, vem sendo comemorado como uma grande vitória na luta contra a corrupção. De fato, o STF, em sua maioria, vem se posicionando de forma resoluta contra o terrível esquema de compra de votos e eternização no poder por meios ilícitos.

Entretanto, de nada adiantará condenar figuras proeminentes se a "cabeça principal" for mantida intacta. O Judiciário, duro com os atos de corrupção, não ataca o centro do partido que nos governa, corroborando a impressão que o PT quer passar de que tais atos seriam meros desvios dos belos ideais proclamados. Essa tática de se limpar na própria sujeira é antiga.

Leiam o livro ‘New lies for old’ do ex-agente da KGB Anatoliy Golitsyn, sobre os planos de desinformação soviéticos, e entenderão o que se passa no Brasil de hoje.

A verdade é que a origem do Mensalão está na gestação do PT. Ao invés de criar um partido para defender,como alegavam, direitos dos trabalhadores e fazer a necessária pressão sobre os lucros para dividir a prosperidade capitalista, o PT foi criado com a ideia gramsciana de organização.

Um "Partido Príncipe" - que incorporaria a virtu imoral de Maquiavel - deveria crescer, se infiltrar no Estado e dominá-lo até que não haveria diferença entre o que seria o Estado e o que seria o partido. Ou melhor, haveria sim uma grande diferença: o partido estaria acima do Estado.

Uma vez que o Estado decodifica as leis e regulamentos, quem se coloca acima do Estado, por definição, se posiciona acima das leis. Como PT nasceu com o "DNA gramsciano" e seu o objetivo final sempre foi estar acima do Estado, seus membros pensam estar além das leis. Por isso, não se sentem na obrigação de defendê-las.

Ao contrário, o grande impulso é o de justamente transgredi-las até que o partido seja a própria lei. Não é preciso ser gênio para entender que um partido assim não tem a intenção de respeitar a democracia, a alternância de poder ou a separação entre governo e Estado.

Se as lideranças do partido não forem investigadas de nada vai adiantar o julgamento do Mensalão. Não se pode permitir a entrega dos anéis para preservar os dedos.

A não ser que o mal - o "DNA gramsciano" - seja cortado pela raiz, escândalos atrás de escândalos continuaram a ocorrer. E ao lado de cada cabeça petista condenada, duas novas vão surgir, tal como a hidra da mitologia grega.

A corrupção simbolizada pelo Mensalão é apenas o meio para o alcance dos objetivos. Punir os meios e deixar os fins intactos. Essa é a tática para a manutenção da corrupção endêmica. E para destruir a democracia.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Entorte seu filho com ajuda do Estado


Pais como instrumentos para entortar sexualmente os filhos
Blog do Julio Severo




Comentário de Julio Severo: No livro De Volta Ao Lar, a ex-feminista Mary Pride mostra como uma sociedade que depende de especialistas em psicologia acaba se arruinando. Desgraçadamente, a sociedade moderna tem uma dependência doentia para com essa falsa ciência, que veio para matar, roubar e destruir. 

De Volta Ao Lar fornece instruições de como criar seus filhos sem a interferência de especialistas destrutivos. Para encomendar o livro, clique aqui.

Agora, recomendo texto da Dra. Marisa Lobo:

Nova ordem mundial exige “Gender Neutral Parenting” (pais criando os filhos de forma diferente da natural), ameaçando o papel sexual e social e desconstruindo a família biológica natural, tradicional brasileira.

Dra. Marisa Lobo

Como psicóloga profissional de saúde mental estou muito preocupada com o rumo que a nação vem tomando nos últimos anos com relação à sexualidade da família, modelos, papeis sociais e sexuais, e como a mídia tem promovido ações contra a família.

Estou preocupada que as pessoas estão estejam engolindo ideologias mentirosas maquiavelicamente engendradas, para descontruir a Família Brasileira.

A mídia tem conseguido seu intento por omissão ou falta de conhecimento de entendimento do povo, cuja maioria sofre calada, por medo. O povo não sabe o que fazer e como lutar. Po iss, se esconde em sua omissão, sem perceber acaba promovendo e sendo conivente com esse golpe fatal contra a Família Biológica, Natural e Tradicional.

A observação faz parte de minha vida, até mesmo pela minha profissão, e posso dar um diagnóstico ao que observo. A Família biológica, natural e tradicional, está sendo severamente ameaçada, por movimentos militantes do homossexualismo (partidário) com o apoio de uma psicologia (partidária) da sociologia (partidária) entre outras profissões que mostram em sua militância (por gênero, politica e ateísmo) uma faceta altamente antiética que tem não só envergonhado nossa nação, mas sendo péssima influência social, egoisticamente lutando por prazeres.

Mas falo aqui da minha profissão. Acho a pior de todas. A psicologia age como uma “tirana” que tem como objetivo principal a “Desconstrução da Família”, “Desconstrução de Deus”, “Desconstrução da Sexualidade Humana”, apenas com um propósito, construir um império do desejo sem leis, regras, moral, princípios, tentando criar uma nação sem identidade somente para defender um gênero sexual apenas a homossexualidade.

A psicologia hoje se preocupa mais com a politica partidária, e está contaminada por militantes que nos últimos anos detêm o poder, que militam usando as minorias com a desculpa de construir uma sociedade justa com direitos igualitários, como instrumento, escada para se chegar ao império de direito indiscriminado sexual.

A hipocrisia e a mentira operam nessas causas, porque sabemos nós que somente usam os homossexuais, as prostitutas, a criança sem família que sofrem como bandeira ideológica para conseguirem instituir seu império.

Já está em todas as redes sociais e se fortalecendo no mundo um movimento  chamado “Gender Neutral Parenting” [pais criando os filhos de forma diferente da natural] é um movimento contrário aos padrões sexuais naturais que ganha espaço no mundo todo.  Com o slogan “Fuja dos padrões sexuais “tradicionais”, pode formar uma nova sociedade no futuro.

A proposta é não mais fazer distinção entre meninos e meninas (sexo biológico), enxergando apenas uma criança que seria “de gênero neutro”. Ou seja, independente do sexo biológico de seu filho, ele será criado sem referência que favoreça, que incentive seu sexo biológico, incutindo assim na cabeça dessa família e dessa criança que a criança deva ser criada de forma “assexual” e que isso vai torna-la mais inteligente e mais saudável. Seu sexo e o papel masculino e feminino serão descartados. Sendo assim, um menino pode usar roupas de meninas, e vice e versa, pois são uma coisa só, iguais, ou seja a criança resumindo pode fazer sexo com menino com menina, casar a três, não importando nada, pois essa é a noção de família. 

Especialistas sérios em todo mundo e mesmo psicólogos, médicos, psiquiatras pediatras estão apavorados e criticando severamente essa tendência que está ganhando força, pois não somente fere a família tradicional, mas cria conflitos de geração de identidade muito maiores. A falta de modelos definidos causa uma grande confusão e conflitos psicológicos nas crianças e vai ter efeitos maléficos mais tarde, inclusive em sua sexualidade, que é o principal objetivo desse movimento.

Para a psicopedagoga Irene Maluf mesmo de modo inconsciente, as crianças tendem a formular suas distinções de gênero observando o pai e a mãe. “É quase impossível, portanto, que uma criança seja criada completamente assexuada. diferenciar gêneros é uma das bases do desenvolvimento”.

O psiquiatra Alexandre Saadeh, coordenador do Ambulatório de Transtorno de Identidade, de Gênero e Orientação Sexual do Hospital das Clínicas, em São Paulo, defende que dar opções à criança é válido, mas o exagero não é saudável. Forçar 100% uma situação de gênero neutro é irreal. “Isso pode causar o efeito completamente contrário e gerar um adolescente e um adulto muito confuso, que culpa os pais por isso”, ressalta.

A tarefa dos pais é apenas reforçar, o que já está determinado pela criação, pela genética, e se, esse modelo for perdido como está sendo, gerará sim transtornos e conflitos muito maiores.

Estamos vendo essa verdade e o objetivo desse grupo que é a “desconstrução como instituição familiar criada por DEUS, um DEUS em quem eles acreditam.

Que DEUS salve nossas crianças. Mas que você pode ajudar também, não aceitando e não sendo omisso e fazendo seu papel verdadeiramente de pai e mãe.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Economia de Mercado versus Intervencionismo


As diferenças essenciais entre uma genuína economia de livre mercado e uma economia intervencionista   

Por  Richard Ebeling





Ao longo de toda a história humana, foram várias as manifestações de movimentos ideológicos coletivistas.  Especialmente nas décadas de 1930 e 1940, em várias partes da Europa, estes movimentos se tornaram mais explícitos e radicais, e assumiram suas extremadas formas de comunismo, fascismo e nazismo.  Todas estas três ideologias representavam a total rejeição da liberdade econômica, do livre mercado e da liberdade individual.  
 
Atualmente, o comunismo, o fascismo e o nazismo — ao menos no formato que assumiram no século XX — estão mortos.  Eles fracassaram miseravelmente, tendo produzido nada mais do que genocídios, forme, devastação e miséria.  Embora sejam vários aqueles que alegam — em todos os eixos do espectro político ideológico — que o capitalismo triunfou sobre estas ideologias, a verdade é que o sistema econômico que hoje existe ao redor do mundo está muito longe daquilo que economistas liberais-clássicos como Mises consideravam ser uma economia de livre mercado.

O que seria uma verdadeira economia de mercado?  Quais as características indispensáveis que uma economia deve apresentar para ser considerada de livre mercado?  Os nove princípios a seguir definem, em minha opinião, uma genuína economia de livre mercado:

1. Todos os meios de produção são propriedade privada, seja de indivíduos ou de empresas.

2. Os proprietários destes meios de produção têm total liberdade para utilizá-los da maneira que mais lhes aprouver, sem estipulações estatais, sem restrições e sem regulamentações (a única restrição óbvia é não agredir a vida, a propriedade e a liberdade de terceiros).

3. A
demanda dos consumidores é o que realmente determina como estes meios de produção serão utilizados.

4. As forças concorrenciais da oferta e da demanda determinam os preços dos bens de consumo e dos vários fatores de produção, inclusive da mão-de-obra.

5. A
livre concorrência é plena, o que significa que não há restrições à entrada de indivíduos ou empresas em nenhum tipo de mercado.  Não há empecilhos burocráticos e não há agências reguladoras determinando quem pode e quem não pode entrar em um determinado mercado.  

6. O sucesso ou o fracasso de empresas e empreendimentos é determinado exclusivamente pelos lucros e pelos prejuízos destas empresas, os quais, por sua vez, decorrem de sua capacidade de vencer a concorrência das empresas rivais no mercado e mais bem satisfazer as demandas dos consumidores.  Não há programas de socorro governamental a nenhum tipo de empresa falida, inclusive bancos.

7. O mercado não está restrito a transações domésticas.  Há plena liberdade de comercializar com pessoas de todos os cantos do mundo, sem restrições governamentais, sem tarifas protecionistas.

8. O sistema monetário é completamente separado do estado.  O governo não possui controle algum sobre o dinheiro, e este não é de curso forçado.  Não há um banco central protegendo o sistema bancário e imprimindo dinheiro para expandir o crédito, determinar juros e estimular os lucros dos bancos.  Há plena liberdade de entrada no setor bancário.  A moeda será aquela voluntariamente escolhida pelos cidadãos.

9. O governo é restrito a níveis locais e sua atividade consiste unicamente em proteger a vida, a liberdade e a propriedade das pessoas.


Por essa definição, nenhum país do mundo é atualmente uma sociedade de livre mercado (embora haja várias gradações que deixem alguns — majoritariamente as cidades-estados — mais perto destes critérios).  Sendo assim, que tipo de sistema econômico existe hoje no mundo?  Mises explicou isso em sua coleção de ensaios de 1929, Uma Crítica ao Intervencionismo:

Quase todos os teóricos de política econômica e quase todos os estadistas e líderes partidários estão procurando um sistema ideal que, em suas crenças, não deve ser nem capitalista nem socialista, e que não se baseie nem na propriedade privada dos meios de produção e nem na propriedade pública.  Estão procurando um sistema de propriedade que seja restrito, regulado e dirigido pela intervenção governamental e por outras forças sociais, como os sindicatos.  Denominamos tal política econômica de intervencionismo, que vem a ser o próprio sistema de mercado controlado.

Uma economia intervencionista 

Eis a seguir os nove pontos que definem uma economia intervencionista:


1. Os meios de produção podem ser propriedade privada, mas seu uso é restringido e regulamentado pela autoridade política.

2. O governo pode estipular, restringir ou regulamentar o modo como os meios de produção são utilizados, bem como pode proibir ou regular o acesso a determinados setores da economia, ou mesmo estipular que apenas ele, o governo, pode incorrer em determinada atividade comercial.

3. A
demanda dos consumidores não é o único fator a determinar como os meios de produção serão utilizados.  O governo pode impor regulamentações estipulando metas de produção, obrigando a prestação de serviços em determinados mercados sem demanda ou proibindo a produção de determinados tipos de produtos ou serviços.

4. O governo influencia ou até mesmo controla a formação dos preços de vários bens de consumo e de fatores de produção, inclusive da mão-de-obra.  O governo manipula os efeitos do mercado — isto é, das leis de oferta e demanda — sobre o sucesso ou o fracasso de várias empresas, influenciando as receitas das empresas através de meios artificiais como regulações de preços, políticas de compra de estoques excedentes, limites à liberdade de entrada nos mercado, subsídios diretos e indiretos, e redistribuição de riqueza.

5. A
livre concorrência é tolhida por vários tipos de restrição à entrada em vários setores da economia.  Agências reguladoras determinam quem pode e quem não pode entrar em um determinado mercado, bem como quais serviços as empresas escolhidas podem ou não ofertar, e quais preços podem cobrar.

6. O governo pode escolher quais empresas podem falir e quais devem ser socorridas com o dinheiro dos pagadores de impostos.  Os pequenos são utilizados para cobrir os prejuízos dos grandes com boas conexões políticas e sindicais.

7. A
liberdade de entrada de produtos estrangeiros no mercado doméstico é desestimulada ou mesmo impedida por meio de proibições, tarifas ou quotas de importações.  O mesmo se aplica à entrada de potenciais empresas estrangeiras que possam rivalizar com empresas nacionais já estabelecidas.

8. O sistema monetário é inteiramente regulado pelo governo, que detém o monopólio da moeda e impõe sua aceitação obrigatória para todos os cidadãos.  Um banco central protege e carteliza o sistema bancário, além de manipular os juros e o valor do dinheiro ao determinar a que taxa sua quantidade na economia deve ser aumentada.  A expansão do crédito é determinada pelo governo e não pela poupança voluntária dos cidadãos.  Todas estas medidas são utilizadas como ferramentas para afetar o emprego, a produção e o crescimento a economia.

9. O governo está presente em várias áreas da economia e da vida das pessoas, possui abrangência nacional e não está limitado à proteção da vida, da liberdade e da propriedade.


É importante observar que o sistema intervencionista representado por estes nove pontos só pode ser implementado por meios violentos e coercivos.  Somente o uso da força, ou a ameaça do uso da força, pode fazer as pessoas incorrerem em ações diferentes daqueles em que elas incorreriam voluntariamente sem a intervenção do governo.  Sendo assim, embora a intervenção estatal seja normalmente discutida como se fosse "política pública", a verdade é que não há nada de "pública" nela.  Intervenções são políticas coercivas implantadas por políticos e burocratas visando ao interesse próprio e de seus favorecidos.

Compare estas políticas ao livre mercado, ou à economia desobstruída, como foi definido acima.  O que é mais evidente é a natureza voluntária de arranjos sociais genuinamente baseados em transações de mercado.  A violência ou a ameaça de violência é reduzida a um mínimo, e o indivíduo adquire a liberdade de viver sua própria vida e de aprimorar suas circunstâncias por meio da livre associação com terceiros.
Exatamente por isso é importante compartilhar com um maior número possível de pessoas uma visão clara e persuasiva a respeito da sociedade livre e da economia de livre mercado.  Apenas esta difusão de ideias pode, se não pôr um fim, ao menos restringir bastante esta era do estado intervencionista, levando-nos para um pouco mais perto da liberdade humana, que é um direito natural de qualquer indivíduo.